Sempre digo que meu sobrenome reflete um pouco da minha história.
Rodrigues. Tenho quase certeza de que sou mais uma das histórias criadas pelo Nelson Rodrigues.
Uma tragicomédia!
Uma carioca, apelidada por paulistanos de Bixxcoito.
Para os que ainda não sabem, o apelido é fruto da rivalidade entre as cidades.
Biscoito no Rio é biscoito.
Biscoito em São Paulo é Bolacha.
Bolacha no Rio é “porrada”.
Conclusão: pede o meu biscoito pra ver se eu não te dou uma bolacha?
Ah! Te surpreendi! Achou que o bixxcoito, como muitos já insinuaram, tinha algo relacionado ao fato de “todo mundo experimentar”, né?
Olha a Bolacha novamente!
Aqui na Lumina1
Muitos não queriam me dar mais beijo de bom dia
Porque eu beijava todo mundo e podia passar sapinho
Muitos reclamavam do meu sotaque
Alegando que paulista não tem sotaque
Muitos me perguntavam ainda
O que eu estava fazendo aqui?
Já que carioca não trabalha, só curte praia?
Alguns já até me consideravam patrimônio da agência
“Olha a nossa bixxcoitinho aí”!
Muitos diziam ainda
Que eu sou a única carioca gente boa, CB (Sangue Bom), que conheceram
Porque já moro na terra da garoa há alguns anos e me adaptei
Isso sem falar da minha coragem
De enfrentar mais um desafio:
Ser uma jornalista no meio de tantos marqueteiros e publicitários!
Rivalidade igual ou maior à que já vivo entre Rio vs SP
Ou Corinthians vs Flamengo
Não tem Ronaldo que segure!
Aqui na agência
Tive alucinações
Tenho quase certeza
De ter escutado algo
Como um Anjo (acho que chamado Gabriel)
Ter tentado atravessar uma porta de vidro
E no fim, deu com a “cara na porta”
E por milagre ter saído vivo e sem nenhum arranhão
Na festa de fim de ano
Vesti a armadura de defensora dos frascos e comprimidos
Ao tentar ajudar marmanjo em perigo
Mas caí na real
Botei os pés no chão
Ao levar um tombo
Caí de bunda e fiquei na mão
São tantas histórias e aventuras
Que me senti iluminada
Por viver e aprender tantas coisas
Mas agora, pego meu batmóvel
As armas de Jorge
À procura de novos desafios
Com a certeza de que novos capítulos emocionantes virão
Fica aqui, então, um beijo e um queijo
Um grande abraço
Quem sabe um até logo
E tudo vindo do coração
Bixxcoito
Carioca não queimada de praia, jornalista, articulista, artista, cantora, mais conhecida como Bixxcoito. Não, não é porque todo mundo come. Preciso deixar claro. É porque vivi na terra da garoa há alguns anos. A rivalidade entre RJ e SP levou-me a este título. De volta ao Rio, resolveu ser também atriz, produtora e escritora. Escreve sobre coisas que leu, viu, sentiu, enxergou, imagina que sentiram, imaginou. Tem todos os sonhos do mundo. Mais?
sexta-feira, maio 07, 2010
terça-feira, fevereiro 05, 2008
Fica proibido
“Fica proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer,
Ter medo das tuas recordações
Fica proibido não sorrir ante os problemas,
Não lutar pelo que queres,
Abandonar tudo por medo,
Não transformar em realidade teus sonhos
Fica proibido não demonstrar o teu amor,
Fazer com que alguém pague pelas tuas dúvidas e pelo teu mau humor
Fica proibido deixar os teus amigos,
Não tentar compreender aquilo que viveram juntos,
Chamá-los somente quando precisa deles
Fica proibido não seres tu perante todos,
Fingir para as pessoas que não te importas,
Esquecer todos os que te querem
Fica proibido não fazeres as coisas para ti mesmo,
Não fazeres o teu destino,
Ter medo da vida e dos teus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse o último.
Pablo Neruda
“Fica proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer,
Ter medo das tuas recordações
Fica proibido não sorrir ante os problemas,
Não lutar pelo que queres,
Abandonar tudo por medo,
Não transformar em realidade teus sonhos
Fica proibido não demonstrar o teu amor,
Fazer com que alguém pague pelas tuas dúvidas e pelo teu mau humor
Fica proibido deixar os teus amigos,
Não tentar compreender aquilo que viveram juntos,
Chamá-los somente quando precisa deles
Fica proibido não seres tu perante todos,
Fingir para as pessoas que não te importas,
Esquecer todos os que te querem
Fica proibido não fazeres as coisas para ti mesmo,
Não fazeres o teu destino,
Ter medo da vida e dos teus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse o último.
Pablo Neruda
quarta-feira, novembro 21, 2007
##
Completo seis meses de Europa este mês. Agora me sinto um pouco mais confortável para escrever sobre as minhas experiências. Não só aqui na terra antiga. Vou falar também sobre meus sonhos. Fiz minha vida um alcançar, realizar e me perder em desejos. Aprendi que qualquer que seja o seu sonho, realizá-lo sozinho não satisfaz. Tive que realizar este sonho, o de viajar para a Europa, para compreender isso. Confessei para amigos que o fato de amadurecer, fiz isso ao morar em São Paulo com 20 anos. Passar perrengue, conhecer as mulheres que posso e quero ser. Tornei-me extremamente fria, muito sentimental. Sofri, chorei por desespero. Todas as vezes que chorei, na verdade, foram por medo da morte. Seja de uma amizade, de um amor, de decepcionar quem amo, de uma “fase da vida” que acabou. Tudo passa.
Quando vim para Dublin, chorei até sentir minhas pernas fracas por medo. Não do que poderia enfrentar, das coisas ruins. Senti medo das coisas boas. De não conseguir enxergar mas a São Paulo que conheço com os olhos apaixonados que sempre tive. Tive medo de mudar e não me reconhecer mais em minhas rotinas. Não me satisfazer mais com o Brasil. Isso não aconteceu. Tudo mudou, no entanto, da melhor forma possível.
Na Irlanda, vi-me derramando lágrimas por ter que me despedir de uma amiga tão querida, tão próxima – apesar do pouco tempo que nos conhecemos. Dei-me conta de que mais uma fase estava se acabando. Fiz novamente uma coisa que odeio. Nada será como foi. Não quis aceitar, por algumas horas, que tivesse finalizado.
O mesmo acontecerá quando voltar. Sampa não será mais a mesma. Não quer dizer que a graça tenha acabado. Só ira mudar. Vou continuar a “chorar” por sentir saudade de algo que passou, mesmo sendo feliz no presente.
Agora sinto um vaco. Fiz a viagem dos meus sonhos, por cinco países, e já necessito de outras metas pelas quais lutar. Esta “trip” me ensinou que, se foi perfeita, foi porque pude dividir com pessoas queridas. Seja em um texto enviado por e-mail, seja vivendo com amigos ao lado, seja por ter encontrado pessoas fantásticas durante o trajeto.
No último fim de semana trabalhei como garçonete com pessoas interessantes em um evento. Vi uma cena que me chamou a atenção. Como a idade cronológica não significa necessariamente maturidade. Um “homem” de 22 anos ser gentil com uma “menina” de 50 anos. Ele simplesmente se ofereceu para limpar uma mesa, suja pelos pratos de janta que quatro pessoas. A mulher brigou, ralhou, dizendo que ele não tinha obrigação, que o serviço era dela, que ele não devia fazer, que ela iria levar os pratos dela. Ele respondeu que não se importava. Virou e simplesmente saiu com os pratos na mão. Hoje admiro ainda mais pessoas assim. Os jovens conservam algo que o tempo apaga.
Em todos os países pelos quais passei, escutei uma musica chamada “One”, do U2. Acredito que os duendes irlandeses me ensinaram que devemos dividir, respeitar e cuidar uns dos outros – como se fossemos “um”. Isto porque, qualquer lugar do mundo pode ser especial se temos quem amamos e gostamos por perto.
Completo seis meses de Europa este mês. Agora me sinto um pouco mais confortável para escrever sobre as minhas experiências. Não só aqui na terra antiga. Vou falar também sobre meus sonhos. Fiz minha vida um alcançar, realizar e me perder em desejos. Aprendi que qualquer que seja o seu sonho, realizá-lo sozinho não satisfaz. Tive que realizar este sonho, o de viajar para a Europa, para compreender isso. Confessei para amigos que o fato de amadurecer, fiz isso ao morar em São Paulo com 20 anos. Passar perrengue, conhecer as mulheres que posso e quero ser. Tornei-me extremamente fria, muito sentimental. Sofri, chorei por desespero. Todas as vezes que chorei, na verdade, foram por medo da morte. Seja de uma amizade, de um amor, de decepcionar quem amo, de uma “fase da vida” que acabou. Tudo passa.
Quando vim para Dublin, chorei até sentir minhas pernas fracas por medo. Não do que poderia enfrentar, das coisas ruins. Senti medo das coisas boas. De não conseguir enxergar mas a São Paulo que conheço com os olhos apaixonados que sempre tive. Tive medo de mudar e não me reconhecer mais em minhas rotinas. Não me satisfazer mais com o Brasil. Isso não aconteceu. Tudo mudou, no entanto, da melhor forma possível.
Na Irlanda, vi-me derramando lágrimas por ter que me despedir de uma amiga tão querida, tão próxima – apesar do pouco tempo que nos conhecemos. Dei-me conta de que mais uma fase estava se acabando. Fiz novamente uma coisa que odeio. Nada será como foi. Não quis aceitar, por algumas horas, que tivesse finalizado.
O mesmo acontecerá quando voltar. Sampa não será mais a mesma. Não quer dizer que a graça tenha acabado. Só ira mudar. Vou continuar a “chorar” por sentir saudade de algo que passou, mesmo sendo feliz no presente.
Agora sinto um vaco. Fiz a viagem dos meus sonhos, por cinco países, e já necessito de outras metas pelas quais lutar. Esta “trip” me ensinou que, se foi perfeita, foi porque pude dividir com pessoas queridas. Seja em um texto enviado por e-mail, seja vivendo com amigos ao lado, seja por ter encontrado pessoas fantásticas durante o trajeto.
No último fim de semana trabalhei como garçonete com pessoas interessantes em um evento. Vi uma cena que me chamou a atenção. Como a idade cronológica não significa necessariamente maturidade. Um “homem” de 22 anos ser gentil com uma “menina” de 50 anos. Ele simplesmente se ofereceu para limpar uma mesa, suja pelos pratos de janta que quatro pessoas. A mulher brigou, ralhou, dizendo que ele não tinha obrigação, que o serviço era dela, que ele não devia fazer, que ela iria levar os pratos dela. Ele respondeu que não se importava. Virou e simplesmente saiu com os pratos na mão. Hoje admiro ainda mais pessoas assim. Os jovens conservam algo que o tempo apaga.
Em todos os países pelos quais passei, escutei uma musica chamada “One”, do U2. Acredito que os duendes irlandeses me ensinaram que devemos dividir, respeitar e cuidar uns dos outros – como se fossemos “um”. Isto porque, qualquer lugar do mundo pode ser especial se temos quem amamos e gostamos por perto.
quarta-feira, novembro 14, 2007
Acordei e tudo estava diferente
As estradas
As calcadas
As entradas
Acordei e o som era novo
Tinham ingleses
Tinham franceses
Tinham irlandeses
Acordei e o gosto, cheiro era outro
De batata
Sem feijoada
Com ovo no cafe da manha
Acordei e me senti renovada
Sem expectativas
Sem agonias
Apenas contente
Sonhei que realizaria
Que o meu sonho logo estaria em minhas maos
Agora esta em meus pes
em meus olhos
em meus sentidos
Estou diferente
Me sinto reluzente
Me sinto forte por estar aqui
Nao tenho tempo
Pra saudade
Nao tenho tempo
Pra tristeza
So tenho tempo
Pra absorver
Tudo o que puder
Cansa falar em outra lingua
Cansa aprender todo dia
informacoes diferentes
Me cansa a burocracia
Muito obrigada
Se voceesta torcendo por mim
As estradas
As calcadas
As entradas
Acordei e o som era novo
Tinham ingleses
Tinham franceses
Tinham irlandeses
Acordei e o gosto, cheiro era outro
De batata
Sem feijoada
Com ovo no cafe da manha
Acordei e me senti renovada
Sem expectativas
Sem agonias
Apenas contente
Sonhei que realizaria
Que o meu sonho logo estaria em minhas maos
Agora esta em meus pes
em meus olhos
em meus sentidos
Estou diferente
Me sinto reluzente
Me sinto forte por estar aqui
Nao tenho tempo
Pra saudade
Nao tenho tempo
Pra tristeza
So tenho tempo
Pra absorver
Tudo o que puder
Cansa falar em outra lingua
Cansa aprender todo dia
informacoes diferentes
Me cansa a burocracia
Muito obrigada
Se voceesta torcendo por mim
quinta-feira, junho 07, 2007
No aeroporto de Paris, a imigração me fez tirar até o sapato para eu conseguir embarcar. O mais engraçado é que lembrei da Clarissa me sacaneando na minha despedida:
- Você não vai para a Europa com essas meias velhas horríveis! Eu fui. E andei por Paris com elas, somente elas...rs Já que Andy Warhol disse que foto de latinhas de Coca-Cola são arte, eu digo que andar de meias velhas na Fraça na frente de pessoas do mundo inteiro é fashion!
Sentou ao meu lado um médico indiano que mora em Dublin há seis anos. A partir de então começou a minha saga para tentar entender o que os irlandeses e estrangeiros que moram no Tigre Celta falam. Parece que eles tëm um ovo na boca. Toda a desenvoltura que achei que havia conquistado em Paris foi por água baixo. Aqui sim eu aprendi a fazer mímica! Ah! Sim, com certeza.
Cheguei e foi uma peregrinação para chegar em Greystones, cidade praiana próxima a Dublin. O maior desafio foi subir as escadas rolantes da Connoly Tren Station com duas malas grandes. Tentava colocar uma no degrau mas ficava com medo dela cair no chão e fechar a passagem dos irlandeses. Além disso, tinha medo de levar um tombo. Em compensação, precisava que alguém tomasse conta da mala que ficaria na parte de baixo. Como uma boa carioca, não largo do osso. Vai que alguém resolve levar minha mala? Parei um casal de gays (eles me perseguem!) na entrada da escada rolante e fiz um deles levar uma das malas.
A casa onde estou é uma graça. Parece de boneca, daquelas que mostram em filmes ingleses. Vou tirar uma foto e mando depois. Moram lá uma mulher de uns 40 anos muito prestativa e dois filhos adolescentes. A Rita, dona da casa, fala lentamente e tentar manter sempre que possível diálogo comigo. O James é o filho mais novo. Muito inteligente, ele lê o jornal e comentar em voz alta tudo o que o interessa. Ele parece ser bem ciumento em relação ä mãe. O segundo é sarcástico. Ele me trata como um bichinho ou um animal em estinção. Já passaram por lá cinco brasileiros, mesmo assim, ele não se acostumou. Adora rir do meu “poor english”. Um espírito malígno anda rondando minha cama todas as noites por causa disso.
O domingo foi esquisito. Cheguei muito cansada. Mal tinha dormido no sábado ä noite porque saí com os amigos e tive que acordar äs 6h30 para ir pro aeroporto. Na Europa o tempo é muito diferente. O dia começa a amanhecer äs 4h30 e termina umas 21h30. Para mim é muito complicado. Vocë fez tudo o que tinha que fazer e mais um pouco e o dia não escurece. É como dizer: estou morta de cansaço mas não posso descansar! Não acabou o dia.
Conclusão, comi alguma coisa e fui para o quarto dormir um pouco. Quando acordei ainda era dia. Entretanto, eu não tinha relógio para saber que horas eram, não tinha despertador para acordar no dia seguinte äs 6h30 e todos já estavam recolhidos, dormindo. Eles costumam acordar muito cedo. Deu um desespero, parecia que eu estava presa no quarto. Não queria mais dormir, mas estava ainda cansada para ler. Queria ver televisão, conversar, dar uma volta pela cidade, no entanto, não tinha a chave, não podia sair. Resolvi ler para dar sonho e dormi.
No dia seguinte, a Rita acordou-se com o café da manhã na mesa. Estou sendo muito bem tratada. Em São Paulo não tinha uma mordomia dessas. A mesma coisa acontece na janta. Quando chego em casa, ela sempre pergunta como foi o meu dia. Coitada, ela não me conhece. É só perguntar que eu não paro mais de falar! Em inglês é só um pouco menos do que em português.
Na segunda-feira fui até a escola, fiz o exame para ver em qual turma iria ficar. Depois, fui até o Trinity College para fazer a carteira de estudante, ao Bank of Irealand para abrir uma conta e comprei um celular com câmera fotográfica por 65 euros. Acreditam? As fotos não são uma maravilha mas dão pro gasto. Vou esperar até arranjar emprego para comprar uma máquina digital.
Em um mesmo dia, trës vezes fez sol e choveu. Independente disso, faz muito frio. Aqui não tem relógios mostrando quantos graus está fazendo. Mas o meu nariz e minhas mãos dizem que é muito frio. Algumas vezes é difícil até para respirar porque o vento entra na narina queimando. Agora imaginem uma situação: eu, em baixo de uma sacada, almoçando um sanduíche (comida aqui é muito caro), enquanto espero a chuva passar. Ao mesmo tempo, duas meninas irlandesas vestidas com uniforme brincavam na água. Achei surreal! Aqui esqueço vaidade. Sou uma bola que ainda igual a uma pata cheia de roupas ambulante, sendo que os irlandeses andam de blusinha. Que ódio!
Voltando para a burocracia, agora tenho que esperar uma carta do banco chegar comprovando minha residência para conseguir o visto de seis meses na imigração. Atualmente tenho visto de um mês que consegui no aeroporto. Logo após, vou dar entrada no PPS, um documento que me permite trabalhar legalmente.
Hoje foi o primeiro dia de aula. Já fiz vários amigos. Na minha turma tem uma mexicana, uma chinesa, duas espanholas, uma francesa e vários brasileiros. A maioria é de São Paulo. Fiz mais contato com a Camila, de Porto Alegre. Ela está aqui há um meis e meio, no entanto, está muito perdida, sem amigos.
Em compensação, eu já tenho quatro pessoas registradas em meu celular! Conheci uma brasileira no intervalo da aula chamada Erika. Ela me convidou para uma festa de inauguração de uma casa onde vão morar seis brasileiros com ela. É claro que vou. Amanhã vou me encontrar com Leandro, um português de Portugal amigo da Maria. Vou olhar alguns apartamentos com ele em Dublin e depois vamos beber. Entrei em contato com a Consuelo, amiga do Raul (espanhol em SP) e com os amigos do Toluco. Aguardo o retorno dos e-mails.
As casas e prédios comerciais em Dublin são de no máximo trës andares, em sua maioria. Parecem muito com as construções em Londres. O custo de vida é alto para mim, que compro em reais. No entanto, para um irlandës não. Você pode pagar muito caro, como também encontra coisas muito baratas. Só para morar aqui é que você terá mais problemas (a bolha imobiliária também está acontecendo aqui), principalmente para comprar uma casa.
Os ônibus são de dois andares; o transposte público é muito bom; as pessoas são muito agradáveis e prestativas. Uma imitação de havaiana aqui encontrei por 17 euros. O livro do Paulo Coelho é indicado como o 16º na lista dos top 20 em uma livraria no bairro chique de Dublin. Sete pares de meias lycra cano curto custam 5 euros; dois pares de meias grossas para dormir, 1 euro. Um sanduíche em uma baguete custa em média 3,90 euros. Uma água ou suco 1,90 euros.
A cerveja e o vinho por aqui ainda não verifiquei. Desculpem, tenho vergonha em constatar essa informação. Hoje esclarecerei a dúvida. A comida é basicamente batata. Batata assada, batata cozida, batata frita, batata amassada com carne, frango, cenoura, ou algo do tipo. Eles também adoram um chá que é uma mistura de outras folhas/flores que se parece muito com o mate no Brasil. Tomam no café da manhã, almoço, janta. Com leite, sem leite, com açúcar, ou sem.
A Roberta na Irlanda é que está mais calma. Estou apreciando ler mais. O frio acalma. Quero conhecer amigos mais quero estudar mais. Hoje vi que uma gramática de espanhol para aprender sozinho custa 15 euros. Tenho lido jornal. Na sexta passada foi a eleição do novo primeiro ministro. O apelidado Tigre Celta continua em pleno crescimento. Este ano a previsão é de 5% e para o próximo ano, 4%. Conversei com uma amiga mexicana. Vocës sabiam de para um mexicano comprar um euro precisa de 15 pesos? Para nós seriam 15 reais para um euro. É quase impossível viajar e morar fora sem a ajuda do governo. Descobri também que há trinta anos os espanhois não podiam viajar, não podiam emitir passaportes. É verdade? A informação colhi na aula de hoje. O assunto foi sobre ditaduras, herois e ícones.
Eu estou me sentindo uma heroína. Todos os medos passaram. Já cheguei, tenho alguns colegas, tenho autorização para ficar. Agora é só aproveitar.
- Você não vai para a Europa com essas meias velhas horríveis! Eu fui. E andei por Paris com elas, somente elas...rs Já que Andy Warhol disse que foto de latinhas de Coca-Cola são arte, eu digo que andar de meias velhas na Fraça na frente de pessoas do mundo inteiro é fashion!
Sentou ao meu lado um médico indiano que mora em Dublin há seis anos. A partir de então começou a minha saga para tentar entender o que os irlandeses e estrangeiros que moram no Tigre Celta falam. Parece que eles tëm um ovo na boca. Toda a desenvoltura que achei que havia conquistado em Paris foi por água baixo. Aqui sim eu aprendi a fazer mímica! Ah! Sim, com certeza.
Cheguei e foi uma peregrinação para chegar em Greystones, cidade praiana próxima a Dublin. O maior desafio foi subir as escadas rolantes da Connoly Tren Station com duas malas grandes. Tentava colocar uma no degrau mas ficava com medo dela cair no chão e fechar a passagem dos irlandeses. Além disso, tinha medo de levar um tombo. Em compensação, precisava que alguém tomasse conta da mala que ficaria na parte de baixo. Como uma boa carioca, não largo do osso. Vai que alguém resolve levar minha mala? Parei um casal de gays (eles me perseguem!) na entrada da escada rolante e fiz um deles levar uma das malas.
A casa onde estou é uma graça. Parece de boneca, daquelas que mostram em filmes ingleses. Vou tirar uma foto e mando depois. Moram lá uma mulher de uns 40 anos muito prestativa e dois filhos adolescentes. A Rita, dona da casa, fala lentamente e tentar manter sempre que possível diálogo comigo. O James é o filho mais novo. Muito inteligente, ele lê o jornal e comentar em voz alta tudo o que o interessa. Ele parece ser bem ciumento em relação ä mãe. O segundo é sarcástico. Ele me trata como um bichinho ou um animal em estinção. Já passaram por lá cinco brasileiros, mesmo assim, ele não se acostumou. Adora rir do meu “poor english”. Um espírito malígno anda rondando minha cama todas as noites por causa disso.
O domingo foi esquisito. Cheguei muito cansada. Mal tinha dormido no sábado ä noite porque saí com os amigos e tive que acordar äs 6h30 para ir pro aeroporto. Na Europa o tempo é muito diferente. O dia começa a amanhecer äs 4h30 e termina umas 21h30. Para mim é muito complicado. Vocë fez tudo o que tinha que fazer e mais um pouco e o dia não escurece. É como dizer: estou morta de cansaço mas não posso descansar! Não acabou o dia.
Conclusão, comi alguma coisa e fui para o quarto dormir um pouco. Quando acordei ainda era dia. Entretanto, eu não tinha relógio para saber que horas eram, não tinha despertador para acordar no dia seguinte äs 6h30 e todos já estavam recolhidos, dormindo. Eles costumam acordar muito cedo. Deu um desespero, parecia que eu estava presa no quarto. Não queria mais dormir, mas estava ainda cansada para ler. Queria ver televisão, conversar, dar uma volta pela cidade, no entanto, não tinha a chave, não podia sair. Resolvi ler para dar sonho e dormi.
No dia seguinte, a Rita acordou-se com o café da manhã na mesa. Estou sendo muito bem tratada. Em São Paulo não tinha uma mordomia dessas. A mesma coisa acontece na janta. Quando chego em casa, ela sempre pergunta como foi o meu dia. Coitada, ela não me conhece. É só perguntar que eu não paro mais de falar! Em inglês é só um pouco menos do que em português.
Na segunda-feira fui até a escola, fiz o exame para ver em qual turma iria ficar. Depois, fui até o Trinity College para fazer a carteira de estudante, ao Bank of Irealand para abrir uma conta e comprei um celular com câmera fotográfica por 65 euros. Acreditam? As fotos não são uma maravilha mas dão pro gasto. Vou esperar até arranjar emprego para comprar uma máquina digital.
Em um mesmo dia, trës vezes fez sol e choveu. Independente disso, faz muito frio. Aqui não tem relógios mostrando quantos graus está fazendo. Mas o meu nariz e minhas mãos dizem que é muito frio. Algumas vezes é difícil até para respirar porque o vento entra na narina queimando. Agora imaginem uma situação: eu, em baixo de uma sacada, almoçando um sanduíche (comida aqui é muito caro), enquanto espero a chuva passar. Ao mesmo tempo, duas meninas irlandesas vestidas com uniforme brincavam na água. Achei surreal! Aqui esqueço vaidade. Sou uma bola que ainda igual a uma pata cheia de roupas ambulante, sendo que os irlandeses andam de blusinha. Que ódio!
Voltando para a burocracia, agora tenho que esperar uma carta do banco chegar comprovando minha residência para conseguir o visto de seis meses na imigração. Atualmente tenho visto de um mês que consegui no aeroporto. Logo após, vou dar entrada no PPS, um documento que me permite trabalhar legalmente.
Hoje foi o primeiro dia de aula. Já fiz vários amigos. Na minha turma tem uma mexicana, uma chinesa, duas espanholas, uma francesa e vários brasileiros. A maioria é de São Paulo. Fiz mais contato com a Camila, de Porto Alegre. Ela está aqui há um meis e meio, no entanto, está muito perdida, sem amigos.
Em compensação, eu já tenho quatro pessoas registradas em meu celular! Conheci uma brasileira no intervalo da aula chamada Erika. Ela me convidou para uma festa de inauguração de uma casa onde vão morar seis brasileiros com ela. É claro que vou. Amanhã vou me encontrar com Leandro, um português de Portugal amigo da Maria. Vou olhar alguns apartamentos com ele em Dublin e depois vamos beber. Entrei em contato com a Consuelo, amiga do Raul (espanhol em SP) e com os amigos do Toluco. Aguardo o retorno dos e-mails.
As casas e prédios comerciais em Dublin são de no máximo trës andares, em sua maioria. Parecem muito com as construções em Londres. O custo de vida é alto para mim, que compro em reais. No entanto, para um irlandës não. Você pode pagar muito caro, como também encontra coisas muito baratas. Só para morar aqui é que você terá mais problemas (a bolha imobiliária também está acontecendo aqui), principalmente para comprar uma casa.
Os ônibus são de dois andares; o transposte público é muito bom; as pessoas são muito agradáveis e prestativas. Uma imitação de havaiana aqui encontrei por 17 euros. O livro do Paulo Coelho é indicado como o 16º na lista dos top 20 em uma livraria no bairro chique de Dublin. Sete pares de meias lycra cano curto custam 5 euros; dois pares de meias grossas para dormir, 1 euro. Um sanduíche em uma baguete custa em média 3,90 euros. Uma água ou suco 1,90 euros.
A cerveja e o vinho por aqui ainda não verifiquei. Desculpem, tenho vergonha em constatar essa informação. Hoje esclarecerei a dúvida. A comida é basicamente batata. Batata assada, batata cozida, batata frita, batata amassada com carne, frango, cenoura, ou algo do tipo. Eles também adoram um chá que é uma mistura de outras folhas/flores que se parece muito com o mate no Brasil. Tomam no café da manhã, almoço, janta. Com leite, sem leite, com açúcar, ou sem.
A Roberta na Irlanda é que está mais calma. Estou apreciando ler mais. O frio acalma. Quero conhecer amigos mais quero estudar mais. Hoje vi que uma gramática de espanhol para aprender sozinho custa 15 euros. Tenho lido jornal. Na sexta passada foi a eleição do novo primeiro ministro. O apelidado Tigre Celta continua em pleno crescimento. Este ano a previsão é de 5% e para o próximo ano, 4%. Conversei com uma amiga mexicana. Vocës sabiam de para um mexicano comprar um euro precisa de 15 pesos? Para nós seriam 15 reais para um euro. É quase impossível viajar e morar fora sem a ajuda do governo. Descobri também que há trinta anos os espanhois não podiam viajar, não podiam emitir passaportes. É verdade? A informação colhi na aula de hoje. O assunto foi sobre ditaduras, herois e ícones.
Eu estou me sentindo uma heroína. Todos os medos passaram. Já cheguei, tenho alguns colegas, tenho autorização para ficar. Agora é só aproveitar.
quarta-feira, maio 16, 2007
Espanhóis no Rio, primeira parte!
Joanna, uma criança de três anos de idade, vivia sua rotina diária com a família. Ela vai para o jardim de infância, brinca com os amiguinhos e depois volta para casa. Tem dois animais de estimação: uma cadela muito mansa e quieta e um gato atentado, quase neurótico. O felino tem síndrome de cachorro; morde todo mundo. Ninguém consegue fazer um carinho que ele morde. E é muito ciumento. Se você fizer um carinho na cadela, ele morde o seu pé e dá umas patadas na coitada depois.
Ela reparou que o mundo em que vivia era maior do que imaginava no colégio. Joanna já está aprendendo a falar inglês. A mãe, orgulhosa, sempre faz exibição da menina prodígio:
- Juju, como é vermelho em inglês? A criança responde:
- “Ruede” (Red).
- Juju, como é amarelo em inglês? A criança responde com cara de orgulho:
- “Iellou” (Yellow).
A esta altura, a Juju já percebeu que há pessoas que falam línguas diferentes. Eis que chega ao Rio a tia Roberta, mais conhecida como Tia Ata, de São Paulo de biquíni para um almoço em família. Ela olhou atenciosamente para a tia com cara desconfiada:
- Oi, Tia Ata! Porque você demorou tanto para chegar? A Joanna sabe que a Tia Ata mora em outro Estado. Mas lá todos falam o mesmo idioma: o português. E já tinham avisado para ela que a Tia estava no Rio. Por isso, no dia anterior, ela se arrumou e ficou esperando a tia chegar em casa. Entretanto, não chegou.
Ao ser questionada pela criança, a Ata respondeu:
- Eu cheguei muito tarde ontem e acabei dormindo na casa de uma amiga espanhola, a Rebeca. Por isso que só consegui te ver hoje. A criança olhou novamente desconfiada, no estilo: você está me enganando, mas tudo bem!
A partir de então, as duas começaram a dançar a dança da Xuxa e a fazer bagunça no restaurante. No fim do almoço, a Joanna não quis deixar de jeito nenhum a tia ir embora sozinha. Ambas foram para a praia de Ipanema encontrar os amigos espanhóis.
Assim que chegaram, os espanhóis começaram a brincar com a Juju. Ela olhou com uma cara como se dissesse “não estou entendendo nada”. No entanto, o interesse principal era brincar. A titia paulista quis ensinar a sobrinha que existem vários paises com línguas diferentes e que eles eram espanhóis. Contou também que “Oi, tudo bem” para eles era “Hola, que tal”.
Todos tentaram veementemente fazer com que a criança falasse “hola, que tal”, entretanto, nada saída. Foi então que um dos amigos comentou:
- Vamos procurar um “Ristorante” para almoçarmos, falou Jesus com sotaque espanhol.
Joanna se sentiu agredida com o erro de dicção e gritou para corrigir.
- Não é assim! É “ressstaurante”, com sotaque carioca.
Jesus tentava falar corretamente e não conseguia. A Juju berrava mais ainda a pronúncia correta. Os dois travaram uma briga até desistirem. E todos, em volta, riam.
Após o primeiro combate, Joanna continuou quieta, prestando muita atenção. Todos queriam ser muito simpáticos. Até que Jesus fez novamente contato. Ao chegar perto, Juju falou baixinho para a Tia:
- Ata, ajeita o meu vestido. O meu peito está aparecendo.
A tia não agüentou e começou a rir. Não acreditava que uma criança de três anos iria se importar com isso. Joanna brincou mais um pouco com Jesus. Depois, foi a vez de outro amigo, Sergio, brincar com a criança.
- O que são esses pauzinhos em suas mãos? Ela respondeu:
- São baquetas! Eu não tenho ainda é o tambor. Vale lembrar que as “baquetas” eram pauzinhos para comer comida japonesa do “ressstaurante” onde almoçaram.
Quando Sergio saiu de perto, a Juju comentou novamente baixinho para sua tia:
- Ata, esse cara não sabe nada. A intenção dela era dizer que ele estava falando o português errado, com sotaque.
A Tia começou a brincar com a criança chamando de “carioca folgada” e ficaram implicando uma com a outra até ir embora.
Após a aventura, as duas foram para a casa do vovô Beto. Quando chegaram lá, Joanna falou para o avô:
- Hola, que “tale”!
Todos começaram a rir. Ela continuou dizendo:
- Vovô, agora eu sei falar duas línguas: inglês e espanhol. “Ruede”, “iellou”, “blue”, “hola, que tale”...
O dia foi tão exótico que à noite, no meio do sono, ela começou a falar enrolado. A mãe acordou e questionou:
- Joanna, o que foi?
Ela continuava a falar enrolado. A mãe perguntou novamente:
- Joanna, o que é?
Ela respondeu:
- Mãe, to falando espanhol.
Ela reparou que o mundo em que vivia era maior do que imaginava no colégio. Joanna já está aprendendo a falar inglês. A mãe, orgulhosa, sempre faz exibição da menina prodígio:
- Juju, como é vermelho em inglês? A criança responde:
- “Ruede” (Red).
- Juju, como é amarelo em inglês? A criança responde com cara de orgulho:
- “Iellou” (Yellow).
A esta altura, a Juju já percebeu que há pessoas que falam línguas diferentes. Eis que chega ao Rio a tia Roberta, mais conhecida como Tia Ata, de São Paulo de biquíni para um almoço em família. Ela olhou atenciosamente para a tia com cara desconfiada:
- Oi, Tia Ata! Porque você demorou tanto para chegar? A Joanna sabe que a Tia Ata mora em outro Estado. Mas lá todos falam o mesmo idioma: o português. E já tinham avisado para ela que a Tia estava no Rio. Por isso, no dia anterior, ela se arrumou e ficou esperando a tia chegar em casa. Entretanto, não chegou.
Ao ser questionada pela criança, a Ata respondeu:
- Eu cheguei muito tarde ontem e acabei dormindo na casa de uma amiga espanhola, a Rebeca. Por isso que só consegui te ver hoje. A criança olhou novamente desconfiada, no estilo: você está me enganando, mas tudo bem!
A partir de então, as duas começaram a dançar a dança da Xuxa e a fazer bagunça no restaurante. No fim do almoço, a Joanna não quis deixar de jeito nenhum a tia ir embora sozinha. Ambas foram para a praia de Ipanema encontrar os amigos espanhóis.
Assim que chegaram, os espanhóis começaram a brincar com a Juju. Ela olhou com uma cara como se dissesse “não estou entendendo nada”. No entanto, o interesse principal era brincar. A titia paulista quis ensinar a sobrinha que existem vários paises com línguas diferentes e que eles eram espanhóis. Contou também que “Oi, tudo bem” para eles era “Hola, que tal”.
Todos tentaram veementemente fazer com que a criança falasse “hola, que tal”, entretanto, nada saída. Foi então que um dos amigos comentou:
- Vamos procurar um “Ristorante” para almoçarmos, falou Jesus com sotaque espanhol.
Joanna se sentiu agredida com o erro de dicção e gritou para corrigir.
- Não é assim! É “ressstaurante”, com sotaque carioca.
Jesus tentava falar corretamente e não conseguia. A Juju berrava mais ainda a pronúncia correta. Os dois travaram uma briga até desistirem. E todos, em volta, riam.
Após o primeiro combate, Joanna continuou quieta, prestando muita atenção. Todos queriam ser muito simpáticos. Até que Jesus fez novamente contato. Ao chegar perto, Juju falou baixinho para a Tia:
- Ata, ajeita o meu vestido. O meu peito está aparecendo.
A tia não agüentou e começou a rir. Não acreditava que uma criança de três anos iria se importar com isso. Joanna brincou mais um pouco com Jesus. Depois, foi a vez de outro amigo, Sergio, brincar com a criança.
- O que são esses pauzinhos em suas mãos? Ela respondeu:
- São baquetas! Eu não tenho ainda é o tambor. Vale lembrar que as “baquetas” eram pauzinhos para comer comida japonesa do “ressstaurante” onde almoçaram.
Quando Sergio saiu de perto, a Juju comentou novamente baixinho para sua tia:
- Ata, esse cara não sabe nada. A intenção dela era dizer que ele estava falando o português errado, com sotaque.
A Tia começou a brincar com a criança chamando de “carioca folgada” e ficaram implicando uma com a outra até ir embora.
Após a aventura, as duas foram para a casa do vovô Beto. Quando chegaram lá, Joanna falou para o avô:
- Hola, que “tale”!
Todos começaram a rir. Ela continuou dizendo:
- Vovô, agora eu sei falar duas línguas: inglês e espanhol. “Ruede”, “iellou”, “blue”, “hola, que tale”...
O dia foi tão exótico que à noite, no meio do sono, ela começou a falar enrolado. A mãe acordou e questionou:
- Joanna, o que foi?
Ela continuava a falar enrolado. A mãe perguntou novamente:
- Joanna, o que é?
Ela respondeu:
- Mãe, to falando espanhol.
segunda-feira, abril 02, 2007
Conto, que conto mas não vivi
Estava em casa. Fui direto checar meus e-mails e scraps no computador quando me deparei com um estranho em meu Orkut. Ele dizia que tinha gostado de minhas poesias e, por isso, gostaria de me adicionar. Achei a iniciativa interessante principalmente porque ele também era poeta.
Iniciamos uma conversa por e-mail. Ele demonstrou interesse em ensinar-me sua técnica de escrita. Tanta que passou literalmente na prática. Cada e-mail era um testamento, quase uma Bíblia. Ele encontrou vários evangelhos novos, mas que Jesus Cristo, para ter tanto assunto. O primeiro até li. O segundo, até a metade; o terceiro, a terça parte. O quarto avisei:
- Guri, vou analisar tudo o que você escreveu. Após a decodificação, acredito que em uma semana, responderei. Aguarde o meu contato.
A partir daí, o papo e a poesia virou um drama, tragicomédia, filme de terror. O cara acusou-me de ter preguiça mental. No entanto, da forma mais sutil possível:
- Pessoa, jamais pedi que tu escrevesses porra nenhuma pra mim. Nem esperaria páginas de ti. Não podes isso. Faltam condições, capacidade.
Faremos uma pausa no discurso. Vocês perceberam? É, ele escreve em português culto. Tenta ser culto. Quem sabe, até o é. Ou é paraense. Em Belém, os belenenses falam com sotaque de carioca misturado com português correto. Boa mistura. Uma coisa é fato: ele não tem inteligência emocional. Acho que por isso ele é praticamente um genérico de um cavalo. Ou paraense. No Pará, quando as pessoas querem xingar, usam Égua. Por exemplo:
- Égua, não acredito que fiz isso. Inspirei-me ao ter respondido o primeiro e-mail para o cara. Ou cavalo. Ou paraense.
Ele pode ser paraense porque Égua é a fêmea do cavalo. Será que virei Égua ao responder o chamado do animal?
Cheguei em animais porque após ter me chamado de burra e grosseira e justificar que não há mal nenhum em manter contato mais assíduo com pessoas, que gente normal faz isso, ele questionou:
- Quem és afinal? Um bixo?
Sim. Bicho com “x”. Meu Deus! É. Ele é um animal. Um cavalo. Não pode ser um paraense. Paraenses usam o português correto. Ele é um cavalo assassino. Atropelou o coitado o português.
Daí, ele disse que eu devia ser mal quista, mal amada. Usou um “Porra Meu”. Neste momento, percebi que ele é um cavalo, assassino e paulistano. “Porra Meu” é paulistanos. Continuando, ele dizia que estava decepcionado. Já havia aprendido a lidar com limitações e falsidades. E levantou a questão:
- Tuas poesias são tuas mesmo? Porque agora dá pra suspeitar.
Eu também me fiz a mesma pergunta. As poesias que ele havia encaminhado também eram dele? Por que não vi nenhum erro de português e ele parecia ter inteligência, pelo menos emocional. Acho que ele contratou um revisor. Encerrou este protesto-testamento (eu já alertei vocês quanto a este aspecto, certo?) da seguinte forma: SUMA, POBREZA DE ESPÍRITO PEGA. Sim, com caixa alta. Eu, como uma boa jornalista, editaria a frase acrescentando um ponto de exclamação. SUMA! POBREZA DE ESPÍRITO PEGA. Não digo que a vírgula está errada por não ter certeza. Acho que procurarei o professor Pasquale Cipro Neto no Orkut para questionar.
Gente, ele só queria ser útil, ajudar. Era o que defendia. Ele alertava que o meu silêncio era parte da pobreza que eu não queria transmitir. Eu ainda questionei, perguntei se ele tinha enlouquecido. No entanto, cheguei à conclusão que o meu silêncio não era pobreza. Era preguiça de lidar com pessoas que não sabem o que querem, não sabe o que são e querem culpar a todos por não ter tido uma boa professora de português para tentar, ao menos, traduzir tantas frustrações e incapacidade em se relacionar em algo bonito. Acho que Friedrich Nietzsche consegui. Ele era quase um bicho, com “ch”, raivoso. Não queria ler outros filósofos só para não ser influenciado. Contudo, tinha ótimo português e bom senso. “Não existem fatos, apenas interpretações”, escreveu o filósofo. Tire agora a sua conclusão. A minha é que só adiciono amigos no Orkut.
Obs.: Dedico este conto a uma amiga que passou por esta situação e me relatou.
Bixxcoito
29 de março de 2007
Iniciamos uma conversa por e-mail. Ele demonstrou interesse em ensinar-me sua técnica de escrita. Tanta que passou literalmente na prática. Cada e-mail era um testamento, quase uma Bíblia. Ele encontrou vários evangelhos novos, mas que Jesus Cristo, para ter tanto assunto. O primeiro até li. O segundo, até a metade; o terceiro, a terça parte. O quarto avisei:
- Guri, vou analisar tudo o que você escreveu. Após a decodificação, acredito que em uma semana, responderei. Aguarde o meu contato.
A partir daí, o papo e a poesia virou um drama, tragicomédia, filme de terror. O cara acusou-me de ter preguiça mental. No entanto, da forma mais sutil possível:
- Pessoa, jamais pedi que tu escrevesses porra nenhuma pra mim. Nem esperaria páginas de ti. Não podes isso. Faltam condições, capacidade.
Faremos uma pausa no discurso. Vocês perceberam? É, ele escreve em português culto. Tenta ser culto. Quem sabe, até o é. Ou é paraense. Em Belém, os belenenses falam com sotaque de carioca misturado com português correto. Boa mistura. Uma coisa é fato: ele não tem inteligência emocional. Acho que por isso ele é praticamente um genérico de um cavalo. Ou paraense. No Pará, quando as pessoas querem xingar, usam Égua. Por exemplo:
- Égua, não acredito que fiz isso. Inspirei-me ao ter respondido o primeiro e-mail para o cara. Ou cavalo. Ou paraense.
Ele pode ser paraense porque Égua é a fêmea do cavalo. Será que virei Égua ao responder o chamado do animal?
Cheguei em animais porque após ter me chamado de burra e grosseira e justificar que não há mal nenhum em manter contato mais assíduo com pessoas, que gente normal faz isso, ele questionou:
- Quem és afinal? Um bixo?
Sim. Bicho com “x”. Meu Deus! É. Ele é um animal. Um cavalo. Não pode ser um paraense. Paraenses usam o português correto. Ele é um cavalo assassino. Atropelou o coitado o português.
Daí, ele disse que eu devia ser mal quista, mal amada. Usou um “Porra Meu”. Neste momento, percebi que ele é um cavalo, assassino e paulistano. “Porra Meu” é paulistanos. Continuando, ele dizia que estava decepcionado. Já havia aprendido a lidar com limitações e falsidades. E levantou a questão:
- Tuas poesias são tuas mesmo? Porque agora dá pra suspeitar.
Eu também me fiz a mesma pergunta. As poesias que ele havia encaminhado também eram dele? Por que não vi nenhum erro de português e ele parecia ter inteligência, pelo menos emocional. Acho que ele contratou um revisor. Encerrou este protesto-testamento (eu já alertei vocês quanto a este aspecto, certo?) da seguinte forma: SUMA, POBREZA DE ESPÍRITO PEGA. Sim, com caixa alta. Eu, como uma boa jornalista, editaria a frase acrescentando um ponto de exclamação. SUMA! POBREZA DE ESPÍRITO PEGA. Não digo que a vírgula está errada por não ter certeza. Acho que procurarei o professor Pasquale Cipro Neto no Orkut para questionar.
Gente, ele só queria ser útil, ajudar. Era o que defendia. Ele alertava que o meu silêncio era parte da pobreza que eu não queria transmitir. Eu ainda questionei, perguntei se ele tinha enlouquecido. No entanto, cheguei à conclusão que o meu silêncio não era pobreza. Era preguiça de lidar com pessoas que não sabem o que querem, não sabe o que são e querem culpar a todos por não ter tido uma boa professora de português para tentar, ao menos, traduzir tantas frustrações e incapacidade em se relacionar em algo bonito. Acho que Friedrich Nietzsche consegui. Ele era quase um bicho, com “ch”, raivoso. Não queria ler outros filósofos só para não ser influenciado. Contudo, tinha ótimo português e bom senso. “Não existem fatos, apenas interpretações”, escreveu o filósofo. Tire agora a sua conclusão. A minha é que só adiciono amigos no Orkut.
Obs.: Dedico este conto a uma amiga que passou por esta situação e me relatou.
Bixxcoito
29 de março de 2007
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