quinta-feira, agosto 31, 2006

Conto - Balada no Centro

Balada no Centro

Por Bixxcoito

Em um sábado qualquer, acordei assustada, quase meia-noite. Tinha marcado de sair com um amigo e decidi dar uma "cochiladinha" para recuperar as forças. Samba-rock era o meu foco. Dançar a noite inteira para espantar os males. Acordar atrasada já era um mau presságio. No entanto, eu não quis perceber.

Arrumei-me depressa e caminhei até o Metrô. Cidade deserta. Mais uma vez pensei: "Eu não devia estar aqui". Meu espírito agitado continuou, meu sexto sentido ficou em último. Percebam no que deu.

Quando peguei o trem, escutei alguém me chamar.

- Amiga! Amiga! Você poderia me ajudar? - um homem (afinal para ser gay é preciso ser muito homem para agüentar preconceitos) veio me pedir informação.

- Preciso ir para Barra Funda. Não tenho a menor idéia de como faço - explicou o homem que distinguirei por faixa na cabeça.

- Vocês precisam descer na estação tal e pegar estação tal... - tentei explicar.

- Não, não. Eu me enrolo toda! Sempre me explicam e eu não consigo andar de jeito nenhum em tantas linhas do Metrô - relatou o homem de faixa.

Decidi, então, ajudar ativamente. Calma, sugeri que eles (as) me acompanhassem. Eu ia descer duas estações antes da deles. Durante o trajeto, o homem de faixa não conseguiu ficar quieto, muito menos calado.

- Amiga, eu tô o bagaço. Só consegui sair hoje porque dormi um pouco na parte da tarde. Trabalho como assistente de cabeleireiro. Isto quer dizer que trabalho aos sábados também! Estou acabando comigo. Vivo na esbórnia! - concluiu, ao mesmo tempo em que sentava no corrimão da escada rolante como se tivesse praticando algum esporte radical.

Por ter vários amigos homossexuais, previ que o homem de faixa e seu primo iriam para Blue Space, boate gay perto da Barra Funda. Quando conquistei mais intimidade, pude ver que minhas suspeitas estavam corretas.

- Amiga, fiquei numa indecisão! Tive que pedir ajuda à mamãe! Não sabia se deveria usar lente de contato verde ou a azul. Mamãe disse que a verde ficava mais natural. Você percebeu que estou de lente? – perguntou o homem de faixa. Eu, claro, disse que não tinha percebido.

Ao chegar na estação que pretendia descer, logo despedi dos amigos. O homem da faixa quis saber para onde eu ia. Disse que ia para o Copan* dançar samba-rock.

- Amiga, acho que vou liberar meu primo e ir para balada com você! Adoro samba-rock - respondeu o homem de faixa. Dei um sorriso misterioso. Ele ainda teve coragem de pedir meu telefone.

Começar uma balada com um gay eufórico pedindo o celular não é um bom presságio. Mas continuei ignorando. Cheguei afinal no Copan.

Em pouco tempo, constatei que eu estava no meio de uma roda, quase que de samba. Tinha direito a um “globeleza” (sim, "um" no masculino. Não quer dizer que seja gay), duas mulheres, uma feminina e outra nem tanto, e um homem bem normal. A feminina, digamos assim, ficou no meu pé a noite inteira. A princípio achei que era ciúme do homem. Depois percebi que não. A feminina não era tão feminina assim. Ela puxava assunto toda hora.

Um exemplo foi quando começou a música "Eu bebo sim" da Elizeth Cardoso que o refrão é mais ou menos assim: "Eu bebo sim. Estou vivendo. Tem gente que não bebe e está morrendo. Eu bebo, sim". Um coro no fundo completa: "Água faz mal a saúde. Bebida não faz mal a ninguém".

Sempre que toca essa música fico com ciúmes! Queria ter escrito. Mas criaram a letra antes de eu nascer, fazer o quê. Bom, a questão foi; começou e eu gritei:

– Adoro essa música! É a minha cara!

A feminina logo complementou berrando ao mesmo tempo:

– Eu também! Olha o meu cabelo sarará - comentou.

Na verdade, ela achou que era outra música, “Sarará Criolo” da Sandra de Sá. Coitada, ficou sem graça quando percebeu o equívoco. Ela tinha sido tão espontânea que não dava para passar desapercebido. Mulher tem mania de soltar seus pontos-fracos. Dei uma risada e continuei a dançar.

Logo após, três carinhas começaram a me paquerar. Ela enfiou-se no meio de forma que bloqueou a visão de todos. Neste momento, não tive dúvidas. Ela me queria.
Fiz uma cara de bicho, de quem não gostou nem um pouco, que a feminina, que já dava as costas para os outros amigos pra dançar comigo, saiu de perto. Entretanto, o amigo homem teve certeza de que eu era heterossexual. Achou instantaneamente uma brecha para iniciar papo. Sim, agora é assim. A mulherada está tomando a frente nas baladas. O homem senta e espera a sua vez.
O tema, como sempre, era "carioca'. Vale lembrar que sou uma carioca perdida em São Paulo há alguns anos. Quando abro a boca, não tem como passar despercebida a minha naturalidade.

Iniciou a conversa da seguinte forma: "Você é do Rio? Nossa! Que legal! Carioca de onde?". Jesus! Carioca só pode ser da cidade do Rio de Janeiro. Se for do Estado, é fluminense. Dei mais um sorriso misterioso e respondi que era da cidade do Rio de Janeiro, especificamente do bairro de Vila Isabel. A partir de então, um show à parte começou. Ele emendou com papo de Noel Rosa, cantou samba enredo da escola de samba Vila Isabel deste ano que nem mesmo eu sei a letra, entre outras gafes.

Só tive a capacidade de olhar para um amigo que me acompanhava na trajetória e implorar para que fossemos dar uma volta. Em pouco tempo, fomos embora. Não era dia de “pegar ninguém”.
No momento em que chegávamos novamente perto do Metrô, outra cena incrível. Um cara de terno e gravada deixou o carro largado, e aberto, no meio da rua para brigar com uma mulher. Pelo que percebi, ele lutava para reaver o celular. Foi um escândalo. Pouco tempo depois, percebi que a mulher na verdade não era ELA, era ELE, um travesti. Que baixaria!

As pessoas ficaram apreensivas, em primeira instância. Depois, todos estavam rindo. Com direito a ameaça de morte com pedra (travesti), gritaria durante a negociação da recompra do celular por R$ 500 (engravatado) e pedido de socorro a policiais que ignoraram a cena por um bom tempo.

Eu já estava com pena do travesti. Acreditei na inocência dele. Achava que era paranóia do engravatado, que bebeu todas em um inferninho do centro de São Paulo e perdeu o aparelho. É claro que a tendência é colocarmos a culpa no travesti. Mas quem procurou “sarna” pra se coçar foi ele. E o pior: ele lutava pelo celular enquanto o carro, muito mais caro, estava largado. Desconfiei que era o vibrador do telefone que ele realmente sentia falta. Ou da mulher dele ligar e o travesti atender. Vixe, bafão.

Como em um dos contos de Nelson Rodrigues, meia hora depois, quando a situação já estava normalizada com a ajuda de policiais, apareceu o travesti novamente. Para minha surpresa, ele voltou com uma amiga (o) . Parou próximo do local e começou a revirar um latão de lixo. Estava procurando por algo. Em pouco tempo, ele comemorava a vitória com o celular em mãos. Ele havia conseguido enrolar o engravatado.
Quando finalmente cheguei em casa, tive a sensação de que não saí para dançar. Que tinha visto um desenho animado. Terminei a noite concordando com o dito popular: "O mundo é gay e eu faço parte dele".

* prédio antigo no Centro de São Paulo onde é realizado o projeto Sambacana, onde DJs tocam samba-rock a noite inteira, de quinze em quinze dias.

5/07/2006.

Conto

Expertise Carioca

Por Bixxcoito

O trajeto diário que faço para ir trabalhar foi modificado hoje. Dormi na casa de amigos após uma balada em uma boate na Rua Augusta, em São Paulo, para ver o Marky Ramone, da tradicional banda The Ramones. Levantei como de costume e utilizei o transporte público para chegar ao meu destino (ficou filosófica esta frase, estou inspirada).

Perto da Funchal, avenida que passo diariamente, enquanto me distraía com o pouco de sol que estava fazendo, uma voz masculina me acordou.

- Lindona, isso aqui é um assalto. Não olhe para traz e não faça gracinha se não eu te mato.

Em meu lento despertar, achei que tinha sonhado com o Rio de Janeiro. De relance, tentei virar-me para ver se era um conhecido que estava brincando comigo. Não era. Pensei em seguida quão era a minha falta de sorte. Na verdade, falta de sorte do assaltante.

Como estive na balada, estava apenas com R$ 2 em nota e R$ 1,50 em moeda. Abri minha bolsa para ratificar a informação. Virei-me com muita calma e disse:

- Baby, eu não tenho dinheiro aqui. Escancarei a bolsa para que ele visse. Ele começou a berrar:

- Se eu for procurar e achar dinheiro, vou meter porrada em você, relinchou a voz.

- Baby, olha o tamanho da minha bolsa (quase uma carteira). Respondi, enquanto entregava os R$ 2 que tinha em mãos. Quando tentei passar por cima da minha cabeça, o assaltante ralhou comigo.

- Não passa por cima! Não passa por cima! Me entrega a grana pelo canto do banco com a janela. Eu ri olhando para frente. Ele estava falando alto, quase berrando, e queria que eu passasse a grana escondido? Vai entender. Fiz o que ele pediu.

Em seguida, foi a vez do celular. Fiz o mesmo movimento de entregar na vez do aparelho, isto é, por cima da cabeça. Ele fez o mesmo discurso acima. E o pior é que ele, ao olhar o interior da minha bolsa para ver se eu estava falando a verdade, pediu as moedas que estavam no fundo. Mais uma vez cometi o mesmo equívoco.

Já estava virando um assalto cômico. Todo mundo me olhando de ladinho como se não estivesse vendo nada, entretanto, com medo. E eu, a vítima, rindo da cara do assaltante.

A voz me avisou que iríamos passar por uma delegacia. Caso eu fizesse escândalo, iria me matar. “Eu posso voltar para a cadeia mas você não sairá viva”, ameaçava a voz.

- Você não lembra de mim. Já te segui até a porta da sua casa, comentou a voz. E eu só fazia o movimento de confirmação com a cabeça, com um ar de cansada. Afinal, nós, cariocas, sabemos de cor todo o processo. Não reagir, dar o que o assaltante pedir, não se desesperar e deixar o episódio passar.

Ele então, acredito, começou a relaxar. Viu que eu não ia fazer nada e que estava muito tranqüila com a situação. Então começou a desabafar:

- Eu fui preso duas vezes. Uma por seqüestro. Quase morri. Cadeia é um lugar horrível. Não dá pra viver assim. Ninguém consegue. 1500 pessoas no presídio tal (não lembro nome). Você viu a revolta no presídio tal? As pessoas não podem viver desse jeito, reclamava a voz.

- Se eu pudesse voltar atrás... teria entrado antes no PCC (uma organização criminosa em São Paulo). Você viu o que os caras fizeram? Eles querem uma revolução! É incrível o que eles estão conseguindo. Acho muito bom. Eu queria ter entrado para o PCC muito antes, afirmou em um tom nostálgico.

Vale lembrar que em maio de 2006, o PCC (Primeiro Comando da Capital) parou a terra da garoa por meio de uma sequencia de atentados que aterrorizaram a população.

Comecei a surtar. Não estava acreditando. Quase disse: “Meu filho. Se você quer assaltar, assalte. Agora me fazer de psicóloga já é sacanagem”. E ele continuou:

- Você mora onde? Perguntou.

Eu quase dei uma gargalhada. Ele não tinha dito que me seguiu na semana passada até em casa? Como me pergunta isso agora? Eu já tinha calculado que era para me assustar. Afinal, não faço aquele trajeto todo dia. Isso tudo acontecendo e eu só com a voz ao fundo. Não pude ainda verificar a fisionomia daquela voz. Respondi:

- Moro na Vila Mariana, menti. Ele disse em seguida que ia deixar o meu celular no dia seguinte no ponto final de Pinheiros. Sugeriu que eu fosse buscar. Minha reação foi:

- Filho, eu não tenho a mínima idéia de onde fica o ponto final de Pinheiros. Era mais fácil ele me devolver o aparelho logo! Agora mal me assaltou, já está pensando em me devolver o aparelho? Então ele explicou:

- É que preciso do telefone para realizar um atentado do PCC hoje. Te dou minha palavra que devolvo amanhã o celular. E você, lindona como é, pode continuar tirando suas fotos.

Eu já olhava para o trocador e para um cara que estava sentado ao meu lado com cara de deboche. Primeiro: meu celular é o mais barato do mercado, não tira fotos. Segundo, levar cantada do assaltante, eu não mereço! Lindona e uma risadinha, foi o que ele fez. Ninguém merece isso, muito menos eu.

Ele questionou se uma Vila dessas da vida de São Paulo ficava perto da minha casa. Estávamos ainda em negociação quanto ao local da devolução do aparelho telefônico. Eu disse que não tinha a mínima idéia.

- Vamos fazer o seguinte, falei. Eu te ligo amanhã e combinamos um local para a entrega do celular, combinado? Ele aceitou a proposta.

Puxou, em seguida, assunto sobre a região de Vila Mariana. Disse que tinha a impressão de me conhecer. Quis saber se eu conhecia os “irmãos” da região. Fiz com a cabeça que não.

- Tome cuidado com a Vila Mariana. É um bairro bom. Não parece mas está muito perigoso. Os irmão (no singular) que tão lá não são gente boa, me aconselhou. Veja bem, a voz já estava me dando conselho.

Logo após, fiz que ia descer do ônibus. Ele não deixou. Pediu que eu esperasse ele descer no ponto seguinte. Foi o que aconteceu. Antes, ele levantou, me olhou, apertou a minha mão como se estivesse fechando um contrato, afirmando a entrega do produto, e me devolveu os R$ 1,50 em moeda para que eu pudesse voltar ao trabalho. Levei um susto. Finalmente vi o rosto. Um cara esquisito, com uns 25 anos. O jeito dele dava medo mesmo.

Antes de chegar no trabalho, pensei: “Preciso escrever um conto. E, mais uma vez, ninguém vai acreditar”. No entanto, vi que ser carioca me traz várias vantagens. Entre elas, ter a experiência de lidar com assaltos. Hoje me senti em casa, entretanto, meu peito explode se saudades.

Gostaria de avisar que vocês podem continuar ligando no meu celular. Comprei outro aparelho. O número continua o mesmo, só não tenho mais o telefone de ninguém. O que foi? Vocês não esperavam que eu realmente fosse ligar para o assaltante. Era capaz dele me chamar para tomar uma cerveja e contar o resto da vida dele. Chega. Prefiro pagar a me aborrecer.

4/08/2006.

domingo, agosto 13, 2006

Como algumas pessoas podem passar por nossas vidas
E levarem tanta coisa
Quando se vão

Como pode você se trancar em seu mundo
E alguém, com uma simples chave, destrancar seus muros
Deixando-lhe com a sensação de solidão

Como pode você conviver com uma saudade monstruosa
Não saber o que fazer para aquietar o coração
Tem vontade de esperar uma eternidade para ser
O que você só consegue ser quando está do lado deste alguém

Como pode minha razão brigar tanto com meu coração
Sei que a vida gira em círculos
Um dia podes voltar
Hoje sei que amo alguém por amar
Sem ter algo em troca
Sem nada apostar

Hoje conjugo o verbo ser
Em sua essência
Sua existência
Sem pretensão

Como pode a vida girar tão rapidamente
Mudar todos os meus conceitos
Deixar-me deste jeito
Com gosto de quero mais

Como pode eu chorar agora
Sentindo uma saudade monstruosa
Por você não manter as demonstrações de carinho
Que sente por mim

Como pode você fugir tanto
Amor
Fugir tanto da minha proteção
Quando o que quero que é que me guarde em seu coração
E nunca mais conviva com a solidão
Ou na escuridão

Dou-lhe a luz de minha vida
Do meu olhar
Do meu sorriso
Da minha ilusão.


##


Procuro em outras bocas
Aquietar-me

Procuro em alguns copos
A diversão

Procuro em alguns carinhos
Estimular o meu

Procuro em alguns toques
Despertar meu desejo

Procuro aprender com o tempo
Que nada acaba
Se não tiver que acabar

Procuro compreender por que tudo que um dia começa
Tem que terminar

Procuro compreender o porquê de me apaixonar novamente
E perder no fim

Ou eu tenho que aprender
Que nada acaba
E que eu tenho que lutar para ter
O que eu realmente amar

Ao invés de sempre deixar passar
Para não mais me magoar

No entanto, sozinha
Eu nunca soube

Então ame comigo
Para não deixar morrer.

##

Amor materno
Amor de mãe
Amor por um filho

Mulher amiga
Mulher menina
Mulher da vida

Compreensão do limite
Compreensão que admites
Por alguém que mereça

Gratidão pela clareza
Gratidão pela beleza
Que abriste para mim

Desejo pela carne
Desejo pelo detalhe
Desejo pelo corpo colado ao meu

Carinho pelo apreço
Carinho que mereço
Carinho pela família
Que um dia quero ter

Brutalidade de suas mão
Brutalidade de suas palavras
Brutalidade que agradeço
Brutalidade que me viciei

Saudade que conheço
Saudade que mereço
Saudade que não será em vão

Beleza em teus olhos
Beleza em quanto dormes
Beleza por me dares tanto amor
Mesmo que não percebas

Mulher que te admira
Mulher que acredita
Mulher que precisa de um homem como você.

domingo, março 26, 2006

Apresentação - Lua

Razão

Pessoas dizem que poemas são tristes
Isto porque são reflexos d’alma
O raciocínio lógico e filosofia
Podem explicar esta fórmula

Felicidade é a memória
Que pretendo guardar em minha história
Já a tristeza, desafio
Coloco-a pra fora
Da forma mais feia
Que alivia minh’alma

O transplante se faz
Com papel e caneta
Com pensamentos tenebrosos
E brancura de sentimentos
Que ficam eternizados
Em poucas linhas tortas.


Coração

Sou a contradição
Que busca perfeição
Sou a felicidade
Que foge da saudade
Sou o bem-estar
Que odeia a dor

Sou a fantasia
E vivo com a nostalgia
Sou a vaidade
Que vive com a simplicidade
Sou o amor
Que irradia para os que se aproximam
Mas que se faz manhoso para os que não ficam.

Sou a águia
Que procura voar bem alto
Sou o oceano
Que tem a imensidão e profundidade
Sou tartaruga
Que se refugia em sua casca

Quero ser leão
E arrastar toda a solidão
Quero ser feiticeira
Para encantar os que quero
E a bruxa
Para afastar os que não quero
E quero ser eu
E encontrar os que me encontrem.


Letra Que Eu Queria Ter Escrito...

Bitch

I hate the world today
You're so good to me
I know but I can't change
Tried to tell you
But you look at me like maybe
I'm an angel underneath
Innocent and sweet

Yesterday I cried
Must have been relieved to see
The softer side
I can understand how you'd be so confused
I don't envy you
I'm a little bit of everything
All rolled into one

Chorus:

I'm a bitch, I'm a lover
I'm a child, I'm a mother
I'm a sinner, I'm a saint
I do not feel ashamed
I'm your hell, I'm your dream
I'm nothing in between
You know you wouldn't want it any other way

So take me as I am
This may mean
You'll have to be a stronger man
Rest assured that
When I start to make you nervous
And I'm going to extremes
Tomorrow I will change
And today won't mean a thing

Chorus

Just when you think, you got me figured out
The season's already changing
I think it's cool, you do what you do
And don't try to save me

Chorus

I'm a bitch, I'm a tease
I'm a goddess on my knees
When you hurt, when you suffer
I'm your angel undercover
I've been numb, I'm revived
Can't say I'm not alive
You know I wouldn't want it any other way

M. Brooks, S. Peiken
Você sempre me pede obrigado
Obrigada preciso também dizer
Com seu jeito bruto invadiste minha intimidade
Com seu jeito doce suavizou minha individualidade

Seu olhar parecia chama
Que queimava ao me ver passar
Meu corpo parecia fogo
Quando te sentiu tocar

Vejo que com o tempo
Meu desejo já pede pelo seu
Ontem, quando menos esperei,
Tive mais uma prova do seu bem-querer


Não sei até aonde conseguiremos ir
Você teme algo que ainda não senti
Pois quando sinto alguma dor
Causada por ti
É com prazer que sinto em mim


##

Eu amo
Não do jeito que você espera
Não da forma como você gostaria

Tudo começou tão errado
Que me parece tão óbvio que não dê certo

Não consegui perceber o que acontecia na minha vida
Só ontem percebi que estou realmente apaixonada
Pois tento tirar pensamentos de minha mente
E ela insite em não deixar você partir

Quando acontece o primeiro beijo
Só tento fugir do segundo, quando ainda tenho vontade de dar o milésimo
Mas agora, percebo que não tenho capacidade de esquecer
Até mesmo o que não aconteceu

Esquecer como você me abraça enquanto durmo
Como me prende entre seus braços
Para que eu não me afaste do seu corpo

Não consigo esquecer a sua alegria
Ao acordar e ter meu corpo todo colado ao seu
Não consigo esquecer
Como meu corpo me surpreende ao estar colado ao seu
Como consigo sonhar entre seus abraços
Como parece tão comum ter você em minha cama
Mesmo que tenha sido poucas vezes

Meus fins de semana parecem sem graça
Dói ter que costatar que você não sente minha falta
Que tenho que tentar te esquecer
Ou sonhar que um dia você dará valor ao fato de ter me conhecido

Ás vezes acho que, por acordar com uma dor de saudade,
É por você estar me chamando em seu sonho
Dói ter que perceber que fui eu quem te empurrei para longe
É que estava doendo não ter você pra mim
Dói ter que perceber que não sou especial pra você

Dói ter que me conformar que tudo começou errado
E que a culpa foi minha
Tenho pânico de costatar que você se apaixonou por outra
Que vive bem sem mim

Pena que mais uma vez
Eu não tenha identificado que o amor batia à minha porta.

terça-feira, março 21, 2006

Só Drummond...

A Verdade

A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com o mesmo perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

##

Os Ombros Suportam o Mundo

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração,
Tempo em que não se diz mais: meu Amor.
Porque o amor resultou inutíl.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à sua porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
Mas na sombra teus olhos resplandescem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer,
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.


##

A cada dia que vivo, mais me convenço de que
o desperdício da vida está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca
e que, esquivando-nos do sofrimento,
perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional.

##


As sem-razões do amor

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.


Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.


Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.


Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Meus poemas prediletos

O Meu Amor

O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca
Quando me beija a boca
A minha pele fica toda arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada

O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos
Viola os meus ouvidos
Com tantos segredos
Lindos e indecentes
Depois brinca comigo
Ri do meu umbigo
E me crava os dentes

Eu sou sua menina, viu?
E ele é meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz

O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me deixar maluca
Quando me roça a nuca
E quase me machuca
Com a barba mal feita
E de posar as coxas
Entre as minhas coxas
Quando ele se deita

O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios
De me beijar os seios
Me beijar o ventre e
Me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo
Como se meu corpo
Fosse a sua casa
Eu sou sua menina, viu?
E ele é meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz...

Ópera do Malandro – Chico Buarque


Samba e amor

Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã
Escuto a correria da cidade, que arde
E apressa o dia de amanhã

De madrugada a gente ainda se ama
E a fábrica começa a buzinar
O trânsito contorna a nossa cama, reclama
Do nosso eterno espreguiçar

No colo da bem-vinda companheira
No corpo do bendito violão
Eu faço samba e amor a noite inteira
Não tenho a quem prestar satisfação

Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito mais o que fazer
Escuto a correria da cidade, que alarde
Será que é tão difícil amanhecer?

Não sei se preguiçoso ou se covarde
Debaixo do meu cobertor de lã
Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã

Chico Buarque


LUA ADVERSA

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!

Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

Cecília Meireles

Amar..

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!
E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder ... pra me encontrar...

Florbela Spanca

OS VERSOS QUE TE FIZ

Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.
Têm dolências de veludos caros,
São como sedas brancas a arder...

Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!
Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E, nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!

Florbela Spanca

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Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, começa novamente.
Se estiver tudo certo, continue...
Se sentir saudades, mate-a!
Se perder um amor, não se perca!
Se achá-lo, segure-o.
Circunda-te de rosas, ama, beba e cala.
O mais, é nada!

Fernando Pessoa

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Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta do passado,
que o que mais queremos é sair do sonho e voltar no tempo
Sonho com aquilo que quero
Sou o que quero ser, porque possuo apenas uma vida
E nela só tenho uma chance de fazer aquilo que quero
Tenho felicidade bastante para fazê-la doce
Dificuldades para fazê-la forte
Tristeza para fazê-la humana
E esperança suficiente para fazê-la feliz
As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades
que aparecem em seus caminhos.
A felicidade aparece para aqueles que choram
Para aqueles que se machucam
Para aqueles que buscam e tentam sempre
E para aqueles que reconhecem a importância
das pessoas que passam por suas vidas
O futuro mais brilhante é baseado num passado
intensamente vivido
Você só terá sucesso na vida quando perdoar
os erros e as decepções do passado
A vida é curta, mas as emoções que podemos
deixar duram uma eternidade
A vida não é de se brincar porque em um belo
dia "se morre".

Clarice Lispector