quinta-feira, maio 29, 2014

Algum sentido nisso

Não é possível
Ficar com o confortável
Conformada
Enquanto a alma for inquieta
Não é verossímil
Atiro
Os fios da tensão
Tesão
Mente não deixa
Cereja
Corpo almeja
Eis a questão
Algum sentido?
Não

SONHO QUE VIVI


Um dia sonhei
Experimentei sonhar por um momento
Que outras vidas eu tinha
Que um dia eu poderia
Uma revolução começaria

Foi dolorido
Não foram só risos
Almas mim ferviam
Histórias a contar saíam

Despi-me da vergonha
Tranquei meu ego num quarto escuro
Exaltei o teatro
E ele me deu muito em troca

A arte não é só fantasia
É uma grande família
Que se encontra nos palcos
Nos palcos da vida

Obrigada aos meus companheiros
Todos os mestres que me deram
Ferramentas, coragem e exemplos
Pra seguir em frente
Mesmo com tantos contratempos

Da cena, do proscênio
Trouxe todos aqui pra dentro
O teatro salva minha vida
Já que morremos um pouco todos os dias

Evoé, queridos
Contem sempre comigo
Que os Deuses me acompanhem
Que estejam sempre entre os meus amigos
Pois arte não se faz sozinho

Não acredito! O dia chegou.
O último dia da temporada de Yerma.
As cortinas se fecham
Essa foi a formatura que eu pedi pra Dionísio.
Viver a CAL foi um sonho mais que lindo.

domingo, março 09, 2014

Futuro feliz


Ansiosa e muito feliz por estar chegando o que está por vir. Que o tempo que chega deixe ir embora o tempo que se foi. E que o coração aqueça e distribua o sol que brilha em mim. Que o meu futuro seja assim.

OTIMISTA DEMAIS


Nunca vou conseguir entender o viver. Porque nascemos na ilusão, crescemos com a falta de conhecimento sobre o ser humano, somos ignorantes a respeito da energia vital e morremos na solidão. A partida é garantida: passagem só de ida e sem companhia. Aos 30 anos, sinto o impacto do final da juventude. Não é da juventude da beleza que falo. É o envelhecimento. Tenho conhecimento agora da fatalidade. A partir dos 30 anos, precisamos rever nossos hábitos, sentimos mais medo. Começamos a perder o eterno. Percebemos quanto somos finitos. Percebo que outros humanos nem 30 anos tiveram. Começo a ser agradecida. Aos 20 anos, sentia-me imbatível, invencível. Percebemos quantas crenças errôneas nos entupiram por décadas. Sinto-me traída. Ninguém sabe de nada. A base para uma boa caminhada neste mundo me foi escondida. Sinto-me entorpecida, me sinto como uma formiga. Somos corrosivos, somos destrutivos, somos tão frágeis, somos tão amáveis. Anarquista me tornei, da vida me afastei, em religiões me perdi, no meu interior busquei e nada encontrei. A mente acalmei. O segredo é a interpretação dos fatos. Um copo cheio esvaziei, muitas conversas travei, da culpa me livrei. Não sinto culpa, não sinto mais medo. A arte da vida me atraiu. Sei o que fiz com meus anos de vida. O que será que você decidiu fazer com o seu tempo? O passado e o futuro ignorei. O presente pode ser de grego mas é a única coisa que realmente possuo. Converso mais com Deus. Não vale a pena entender. Sentido nunca vai ter. Quero viver bem, que mal tem? Não seguro mais, solto tudo. Como um bumerangue, o que vai, volta. Do mal, da tristeza, crio vida. A arte preenche minha rotina. O silêncio é minha melhor companhia. O amor agora busco, é minha prioridade. Preciso ser amada, confesso. Carinho e atenção curam. Ter amigos é o maior presente. Hoje digo que minha religião é ser positiva. Otimista demais, alegria é paz.


quinta-feira, agosto 15, 2013

EIS QUE


Eis que aqui cheguei
De longe venho
Pra onde, não sei

Eis que sonhos tive
Ainda os tenho
Realizá-los pretendo

Eis que amores vivi
De longe mantenho
Bem perto pretendo

Lábios beijei
Fogos acendi
Em camas, irei deitar

Eis que equilíbrio desejei
Da ressaca, me afastei
Calmaria alcancei

Eis que medos me cegaram
Lutas travei
Dinheiro, busquei

Doenças me atravessaram
Com Deus conversei
Da morte, me afastei

Eis que investiguei sem cessar
Algo alcançar
Julgamentos evitar

Eis que o vento me domou
Maturidade do eu sou é capaz
Hoje reino na paz

Sem me esforçar
Passei a respeitar
Não temer o revés a chegar
Palavras a me maltratar

Buscador de almas, me tornei
Do palco, mergulhei
Intimidade criei

De palavras me embriaguei
Dos livros, suguei
A natureza compreender

Eis que vergonha, nada sei
Que um dia partirei
Tudo acaba, eu sei

Eis que despedir é normal
O anjo da morte é fatal
Por caminhos eu vou

Como errante, o destino assim se fez
Eis que carinhosa, dedicada, eu sou
A saúde voltou, viva estou

sexta-feira, julho 05, 2013

Amo assim, só pra mim


Amo, amo mesmo, não nego
Quando me apego, amo mesmo
Amo a tudo, a todos, trabalho, sem preconceito
De onde vim, pra onde olho, é o que vejo
É um olhar assim, um amor sem fim, amor pela vida
Amo a tudo que beijo, cheiro, toco, provoco
Se me faz sentir, é bom pra mim, não sufoco
Deixo fluir, se está bom assim, não tenho pressa

É por amor, um amor assim despretensioso
Assim gostoso, sem rancor, sem desfecho
Amo até a ideia de você amar por puro desejo

A prioridade, a minha verdade
É que amo mesmo a felicidade, a tua e a minha
Amo tanto, respeito um tanto, que não tem pranto
Não tem ciúme besta
Amo a sinceridade, a liberdade, a cumplicidade
Dormir juntinho, acordar devagarzinho, comer na mesa
Até quando não te vejo, se estiver bem, meu amor
Eu me contento com teu sorriso. Se me lembro, fico besta

Quero teu olhar iluminado, assim apaixonado
Amar sem medo
Renego tantas e tantas vezes só pra ver, amor,
Se me acalmo, pra tentar te amar um pouco menos

O conhecimento


“Em algum remoto rincão do universo cintilante que se derrama em um sem-número de sistemas solares, havia uma vez um astro, onde animais inteligentes inventaram o conhecimento. Foi o minuto mais soberbo e mais mentiroso da ‘história universal’; mas também foi somente um minuto. Passados poucos fôlegos da natureza, congelou-se o astro, e os animais inteligentes tiveram de morrer – assim poderia alguém inventar uma fábula e nem por isso teria ilustrado suficientemente quão lamentável, quão fantasmagórico e fugaz, quão sem finalidade e gratuito fica o intelecto humano dentro da natureza. Houve eternidades em que ele não estava. Quando de novo ele tiver passado, nada terá acontecido, pois não há para aquele intelecto nenhuma missão mais vasta, que conduzisse além da vida humana. Ao contrário, ele é humano, e somente seu possuidor e genitor o toma tão pateticamente, como se os gonzos do mundo girassem nele. Contudo, se pudéssemos nos entender com a mosca, perceberíamos então que também ela bóia no ar com esse páthos e sente em si o centro voante do mundo”.
Friedrich Nietzsche, Obras Incompletas, Col. Os Pensadores